quando eu comecei a estudar DI, tinha acabado de voltar do navio, tava cansada pra caraleo e desanimada, mas disposta a começar a trabalhar assim que aparecesse uma oportunidade. mas ao longo do curso, percebi que não ia dar para conciliar os dois, porque era tudo muito puxado, especialmente para uma pessoa com poucas habilidades para desenho como eu. eu percebia como minhas amigas que trabalhavam sofriam para fazer tudo em dia e eu não estava a fim de ficar virando noite desenhando, honestamente.
acabei terminando o curso com pastas ótima, boa e ótima (no começo do 2º módulo eu estava em meio a uma puta depressão que, infelizmente, afetou meu trabalho) e isso me deixou empolgadona porque, mesmo não sendo mestre no desenho a mão, meus projetos são fodidos, não vou fingir modéstia, eu faço muita pesquisa e fujo do lugar comum, coisas importantes nesse meio. e eu ainda acabei por me interessar mais por movelaria que por projeto, a parte de criação muito me agrada.
antes do curso acabar, lá por outubro, decidi buscar emprego, levei meu currículo em 19 lojas, desde planejados, modulados, passando por lojas que fazem projetos inteiros, até lojas que simplesmente vendem móveis. eu queria trabalhar, só isso, uma ocupação. só que era aquela merda, ainda estava estudando, shopping tem escala e não tinha como me acomodar com aulas até meio-dia e meia. blé.
fui chamada para uma seleção na brentwood, minha loja favorita, passei por 3 fases mas não rolou. uma pena, porque realmente gosto de lá.
já estava ficando louca dentro de casa, de verdade. meu, DESESPERADA. porque sempre falei que prefiro me privar de mil coisas a ter de trabalhar AHAHAHAHHAHAHAHAHAHA, mas chegou a um ponto em que eu quero ter meu dinheiro para comprar certas coisas e, plizz, tenho quase 30 anos, chega dessa mentalidade infantilóide, né? tô formando família, essas coisas que eu desejo não são superficiais, são parte de uma vida que eu estou construindo com leonardo, não é questão de ganhar dinheiro e gastar na balada, encher a cara de padê e vodka. eu ainda vivo com o dinheiro que ganhei no navio. claro que certas coisas, como convênio médico e estudos, meu pai ainda me ajudava (assim como ele ajuda minha irmã do meio e ajudaria a mais velha se ela vivesse no brasil. ele o faz porque quer, não porque exigimos), mas eu não tenho coragem há anos de usar o dinheiro dele para futilidades como sapatos, roupas e etc. nem teria graça, né, ficar usando o dinheiro dele para essas coisas quando já tenho idade suficiente para me cuidar.
enfim, ainda tenho dinheiro do navio, mas tá acabando e eu não suporto ficar em casa desocupada. coisas para fazer sempre tem, mas me dá aquela pregs e eu fico aqui deitada na internet e isso não pode ser bom, sempre acaba gerando aquela paranóia, aquele nervosismo direcionado às pessoas erradas e eu não queria, de maneira alguma, ficar desse jeito. nem ficar 24h pensando na minha próxima cor de esmalte. ou nas séries de tv. ou na nova ordem mundial aahahahahahaah cabeça vazia é uma desgraça mesmo.
se eu ainda estivesse em aula, tudo bem, porque teria a manhã ocupada e minha mente direcionada a projetos, mas essas férias estavam se prolongando DEMAIS. “estavam” sendo a palavra-chave.
ontem me chamaram de uma dessas 19 lojas e eu fui contratada para começar terça-feira YAAAAAAAAAAY chama formato, a comissão é mutcho boa, eles têm umas gratificações interessantes, bônus e tal e, a melhor parte, eles fazem PROJETOS PERSONALIZADOS, que significa que vou poder exercer minha profissão. mano, tô tão feliz que não cabe em mim. AAAAAAAAAAAAAHHHHHH no fim das contas, foi muito bom que não rolou na brentwood, lá eu ia ser só uma merda (foi um typo, mas vou deixar) vendedora de móveis =D
é shopping, então vou trabalhar aos finais de semana, com um domingo de folga por mês, é pesado e cansativo, mas muito melhor que ficar em casa me privando de coisas que desejo tanto ou sendo sustentada, né. vou ter de ajustar vários horários, como a academia, largar o boxe (CHUIIIIF) e combinar um jeito com a fernanda para fazer, pelo menos, 2 sessões por mês de terapia, mas tudo dará certo, eu sei.